Quando Caminhamos Sozinhos
- 10 de mar.
- 2 min de leitura

Existe um tipo de solidão que os olhos da multidão não alcançam.
Ela não reside nas fotografias de grupo da igreja nem é falada nos cumprimentos superficiais à porta da igreja. Ela habita no silêncio de quem se senta nos bancos cantando os mesmos cânticos de louvor enquanto o coração clama por um eco que não chega.
É a solidão da viúva que atravessa a soleira de uma casa onde o silêncio se tornou o inquilino principal.
É a solidão do solteiro que sente que a sua existência está num compasso de espera
ou
do divorciado que carrega o peso de uma história que a comunidade nem sempre sabe como abraçar.
Durante demasiado tempo a pregação cristã pintou o quadro da vida plena como algo que apenas faz sentido em torno da moldura da família e do casamento. Contudo o Evangelho rebenta com esta moldura limitada e revela uma história muito mais vasta.
A nossa identidade mais profunda não é o nosso estado civil nem a presença ou ausência de uma aliança no dedo. A nossa identidade é esta. Somos redimidos pelo sangue do Cordeiro. Como lemos em João 12:1 a todos quantos O receberam deu lhes o poder de serem feitos filhos de Deus aos que creem no Seu nome. A nossa pertença não vem da família de sangue mas vem da adoção soberana de Deus Pai.
Cristo não subiu à cruz para edificar apenas pequenos clubes familiares onde cada um se fecha no seu conforto. Ele morreu para criar um povo resgatado de todas as tribos e nações um corpo onde ninguém é invisível aos olhos do Redentor. Quando a igreja desperta para esta realidade a solidão deixa de ser um calabouço de isolamento para se tornar o campo de batalha onde a graça de Deus manifesta o Seu poder. No Reino de Deus não existem pessoas que sobram porque todos foram comprados pelo mesmo preço.
O cuidado de Deus para com o solitário é uma marca da Sua própria Glória conforme lemos no Salmo 68:6 onde está escrito que Deus faz com que o solitário viva em família e liberta os presos em grilhões. Esta promessa não é um conceito abstrato pois ela ganha carne e osso quando nós nos tornamos o abraço de Deus para quem se sente abandonado.
A solidão pode tentar ditar o fim da nossa história mas ela não tem a última palavra porque fomos unidos a Jesus Cristo. Ele prometeu em Mateus vinte e oito verso vinte que estaria connosco todos os dias até ao fim do mundo.
Se o teu coração se sente deserto lembra te disto.
O Pai não te abandonou e o Filho não te esqueceu. Tu foste comprado para pertencer a uma comunhão que não acaba na morte e que começa agora.
A solidão pode esconder te dos olhos do mundo mas nunca te esconderá do coração do Pai que te vê e te chama pelo nome.




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